sábado, outubro 14, 2006

CARTA DE MIM PRA MIM MESMO

Mais uma do Roberto... ele publicou no blog dele no dia do meu aniversário...
Pode não ter tido a intenção, mas foi um presentão pra mim!
http://www.smalltalk.com.br/blogs/poesia

Carta de mim pra mim mesmo
28 de Setembro de 2006

Olá, não me conheces.
Mas sabes quem fui, o que pensei,
E quando eu ri, quando chorei,
Conheces minha vida e minha história.
Tua memória é minha
Teu futuro, meu passado
Teu anseio, meu cansaço
Do que seria e não fui
Do que serás, pra mim e pra ti.

Se aceitares o conselho
De um velho, todavia,
Eis aqui o que te digo,
O que tu mesmo te dirias:

Vive a vida, é teu presente.
Que futuro e passado não importam;
Só importa o que tu és,
Pois nada mais trago comigo;
O que sou, o que não és,
É também o que me faz ser teu amigo.
Que somos um,
Um só, e o mesmo
E ainda, mesmo assim,
Não me conheces.

Ainda é tempo; e que o tempo,
Esse velho companheiro,
Seja tão só teu amigo,
E não senhor;
Nem do que foi ou que virá,
Nem mesmo do que entre nós persiste;
Nem do tempo que há entre mim e ti,
Nem mesmo do que agora não existe;

Que sejas tal como eu sou
E eu seja tal como tu és
Que venhas a me conhecer
Como eu também conheço a ti.

Até mais ver.

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quinta-feira, setembro 14, 2006

CARTA ABERTA AOS MEUS AMIGOS

Meu aniversário tá chegando... Vai batendo uma melancolia, uma tristeza por ver que estou bem longe do que eu sonhei pra essa fase da minha vida...

Achei esse texto do Gondim; aliás, me foi mostrado por um amigo. Quando li, algumas lágrimas queriam sair, mas consegui me conter e acho que nem esse amigo, que estava do meu lado, conseguiu perceber.

Pra quem reclama a falta de textos meus, eu peço desculpas e paciência. Tenho muita coisa pra colocar pra fora, mas preciso primeiro deixar as ondas se acalmarem, ou, pelo menos, conseguir fixar o olhar no horizonte, apesar do barco balançar tanto.

Bem, espero que gostem...



Carta aberta aos meus amigos.

Ricardo Gondim

Ando carente e vulnerável. Preciso reafirmar-lhes, meus amigos, como necessito de vocês e como não agüentaria mais perder nenhum colega.

Por favor, cuidem-se. Entendo que a maioria de vocês não fuma, não bebe exageradamente e sabe dos malefícios do colesterol. Não, não falo desse cuidado periférico. Peço que cuidem da alma. Procurem aprender a gostar de música clássica (as vacas leiteiras já aprenderam). Leiam romances, novelas, ficção científica, poesia. Lembro-lhes que a estrada para os manicômios está pavimentada de teses argumentativas e debates intermináveis sobre as minúcias filosóficas e questiúnculas teológicas. Há pouco, visitei um amigo internado numa clínica. Imaginem minha tristeza quando o vi repetindo para as paredes, que descobrira o significado do número 666 do Apocalipse.

Por favor, fujam do pecado. Não, não me refiro às tentações menores que já catalogamos em nossos manuais religiosos de santidade. Lembrem-se que a maior de todas as desgraças está ligada ao poder. Na oração do Pai-Nosso, Jesus nos ensinou a pedir que Deus não nos deixasse cair em armadilhas, mas nos livrasse do mal. Dizem os melhores exegetas que a cláusula final que os protestantes citam - “Pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre” – não fazia parte da prece original. Eles afirmam que algum escriba, anos depois, resolveu dar sua interpretação para o significado daquele “mal” que deveríamos pedir para ser livres. Quando afirmamos que “teu é o Reino, o poder e a glória”, estaríamos reconhecendo que o mal mais horroroso é a cobiça do poder. Aceitem a interpretação desse monge anônimo e guardem em mente que o anel de Tolkien é perigosíssimo. Nunca esqueçam que nossa mãe também deixou de mergulhar nosso calcanhar nas águas sagradas e até o Super-homem era vulnerável.

Por favor, não queiram ser candidatos na política; não tolero imaginar-lhes em camburões da Polícia Federal. Evitem andar de motocicleta. Não parem em sinal de trânsito tarde da noite. Cuidado ao nadarem em praias infestadas de tubarão. Aos amigos homens, sugiro: abandonem o paletó e a gravata. Às mulheres, advirto: não apliquem botox nos lábios. Companheiros, nunca, em hipótese nenhuma, tinjam seus cabelos.

Por favor, lembrem-se que as duas únicas dimensões de vida que dispomos são o passado e o futuro. O futuro se transforma tão velozmente em passado que nunca desfrutamos do presente. Viver se resume na esperança do porvir ou na lembrança do pretérito. Toda esperança mal antecipada pode transformar-se em ansiedade; e toda saudade, acabar em melancolia. Cada qual terá sempre que decidir como vai encarar seu futuro e como tratará sua memória. Não atrofiem a alma com ansiedades nem com melancolias.

Estou envelhecendo. Pressinto que necessito cuidar de meus amigos, mantendo-os em forma; eles me ajudarão nessa última etapa de minha jornada.

Portanto, cuidem-se, eu preciso muito de vocês.

Com carinho,

Ricardo
Soli Deo Gloria.

quinta-feira, setembro 07, 2006

UM SONETO DE D. PEDRO I

Olhem só o que descobri: um soneto que D. Pedro escreveu quando ficou viúvo...


À Sempre para Mim Sentida Morte
da Minha Adorada Esposa a ...



Deus Eterno por que me arrebataste
A minha muito amada Imperatriz?
Tua divina vontade assim o quis?
Sabe que o meu coração dilaceraste.

Tu de certo contra mim te iraste,
Eu não sei o motivo, nem que fiz,
E co'aquele direi, que sempre diz:
Tu m'a deste, Senhor, tu m'a tiraste!

Ela me amava c'o maior amor,
E eu nela admirava a honestidade:
Sinto o meu coração quebrar de dor.

O mundo não verá mais n'outra idade
Modelo mais perfeito, nem melhor
D'honra e candura, amor e caridade.

[1826]


In: GUANABARA: Revista Mensal, Artística, Científica e Literária. Rio de Janeiro, v.2, n.3, p.96?, 1852

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segunda-feira, agosto 14, 2006

SOMATIZANDO


Às vezes penso em mim como uma pessoa meio cabeça-dura. Outras, como uma pessoa com o coração mole... Não sei bem se alguma dessas duas definições é verdadeira ou que importância tem isso...

Hoje – hoje, ultimamente e não, hoje hoje... – me sinto rasgada...
Estranho isso, como sinto no corpo dores que deveriam ser só da alma!

Tava pensando nisso de manhã... Certas dores da minha alma se manifestam como um nó no estômago, daqueles que parecem querer causar um peristaltismo reverso... Outras parecem causar a perda de alguma parte do meu corpo, como se algum pedaço de mim fosse arrancado... E aquela sensação de frio intenso, que a tristeza e a solidão me trazem, que mais do que a pele, parece gelar o coração? E falo de coração físico, não o coração emocional.

Fico pensando que há bem pouco tempo atrás, eu pensei que não iria mais me sentir assim... Mas, de vez em quando, essas sensações voltam.

Hoje acredito muito menos nas pessoas, espero muito menos delas... Isso me dói, me coloca numa redoma em que poucos têm acesso... Não gosto disso, mas não tenho conseguido ser diferente.

Sei que muito do que somos é fruto do ambiente em que vivemos, das experiências que passamos, das emoções que de alguma forma nos marcam a alma... emoções tanto positivas como negativas.

Meu aniversário está chegando... talvez por isso eu esteja tão pensativa...
Vou fazer trinta e sete anos... e o que fiz da minha vida?
Fiz uma faculdade que descobri, quase no fim, que não gostava... mas terminei...
Casei, tive uma filha, mudei para outro país...
Voltei, descasei...
Fiz outra faculdade, batalhei pra cuidar da minha filha, pra começar tudo de novo...

Cansaço, solidão...

O que me consola é que eu creio num Deus que é fiel, que me ama, que conhece cada uma das minhas necessidades (as mais importantes, as mais bobas)!
Um Deus que sabe exatamente o que me tem feito chorar e o que me tem feito sorrir!
E que conhece o meu coração, conhece cada pensamento meu... e sabe que motivação tem cada uma das minhas atitudes.

Por isso, apesar da tristeza (que me invade de vez em quando...), da sensação de solidão (que falta faz alguém em quem se pode confiar de verdade...), de achar que o tempo está acabando (a areia não pára de escorrer na ampulheta...), eu sei que não estou só: Deus está ao meu lado e acompanhando tudo isso!

E como o salmista, eu creio que Ele nunca me abandonará! “Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me recolherá.” Salmos 27.10 – se até com pai e mãe abandonando (o que não é o meu caso) Deus nos recolhe...

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terça-feira, agosto 08, 2006

A SENHA




Tem gente me cobrando meus próprios textos... Mas tô numa daquelas fases em que não consigo colocar pra fora as palavras que percorrem meus pensamentos...

Tenho uma amiga-mana-linda, Gláucia Carvalho, ela mesma, a cantora e compositora... Fuçando o Orkut dela, achei essa poesia fresquinha, que ela fez hoje de manhã... E coloquei aqui, porque ela conseguiu traduzir um pouco mim nesses dias.

Gláucia, você pode não ter sabido na hora, mas escreveu a minha alma...



A Senha

Tô pendurando as chuteiras...
Tô entregando os pontos
Tô esvaziando a lixeira,
Tô escrevendo uns contos...

Tô me livrando das sobras,
Do pouco que ainda me resta,
Da parca, da pouca memória,
Dos sonhos, das danças, das festas...

Tô derramando o tão pouco,
Que ainda existe de fim,
Talvez eu consiga lembrar,
Que um dia eu lembrei de mim...

Que tive um nome, identidade,
Que tive endereço, uma cor, um sapato,
Que tive um regato, uma árvore, uma flor,
Tive livros, amigos, família, tive enfim, um grande amor...

Tive sóis e luas e ventos,
Tive chuvas e até uma resenha,
Quem sabe eu até não me esqueça,
Que um dia eu tive uma SENHA...


Gláucia Carvalho
08/08/2006
9:35 h



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