terça-feira, julho 08, 2008

PRIMEIRA PÁGINA

Primeira página do Jornal Meia Hora de hoje, dia 08 de julho de 2008:




As frases em vermelho, que estão meio ilegíveis são:
- PMs acusados de matar diarista no Complexo da Penha
- PMs suspeitos de matar garoto de 6 anos no Muquiço
- Soldados do Exército presos com carro roubado
- Policial civil comandou tortura a jornalistas
- Bombeiro fazia avião com carro de promotora


Eu acredito que existam pessoas honestas no governo, nas forças armadas, militares, paramilitares e afins, sim...
Mas que está cada vez mais difícil confiar nas instuituições que deveriam cuidar do país e do povo, é inegável.

Não preciso/não quero dizer mais nada.

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quinta-feira, junho 26, 2008

CERTEZAS

Nossa, quanto tempo sem escrever aqui!

Não que me falte assunto ou tempo. Mas têm me faltado palavras... Logo eu, que sempre gostei tanto de falar, de escrever, de colocar pra fora o que tenho sentido, pensado, ouvido, discutido... E me faltam palavras.

Ou talvez as palavras não estejam faltando e sim, a vontade de me expor, de me desnudar, de me deixar ser vista.

Tenho vivido um turbilhão de coisas. Algumas boas, algumas nem tanto, outras bem ruins. Hoje me sinto no olho do furacão: um lugar calmo, apesar de toda a turbulência ao redor. Temo que essa calmaria seja sintoma de que o coração esteja se fechando; se fechando pra dor, se fechando pra tristeza... mas só para as minhas dores e tristezas; a dos outros ainda me incomodam muito.

Hoje eu li um texto, atribuído ao Mario Quintana, que vou postar aqui. Ele diz muito do que eu gostaria de dizer, muito do que eu sinto, muito do que eu gostaria de colocar num painel de neon e carregar pra todo mundo ver.

Mas acho que quem me conhece de verdade, já sabe disso.




CERTEZAS
Mario Quintana

Não quero alguém que morra de amor por mim… Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.

Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.

Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim… Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível… E que esse momento será inesquecível...

Só quero que meu sentimento seja valorizado.

Quero sempre poder ter um sorriso estampado em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre… E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.

Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém… e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.

Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho… Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele. E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca
cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.

Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe… Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.

Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.

Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…

Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.

Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros… Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…

Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…

E que valeu a pena.


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sábado, maio 03, 2008

O QUE O VENTO NÃO LEVOU



O QUE O VENTO NÃO LEVOU

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves
são as únicas que o vento não conseguiu levar:

um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso,
o folhear de um livro,

o cheiro que tinha o próprio vento.


Mario Quintana


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sábado, abril 12, 2008

PERTENCER

Passeando na net, achei esse texto da Clarice Lispector. Há algum tempo a questão "pertencer" tem rondado meus pensamentos e pensei em escrever sobre isso. Por ora, o texto a seguir é suficiente, porque consegue traduzir boa parte do que eu tenho pensado e sentido.


PERTENCER
Clarice Lispector

Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.

Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.

Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.

Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.

Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro.

Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.

Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.

Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida. (...)

A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!



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sábado, março 08, 2008

A ESTRELA , O CAOS E O TAPECEIRO



"É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançarina."
(Nietzsche)


Há dois dias vi essa frase no perfil do orkut de um amigo. E tenho pensado nela desde então. Nela e em outras turbulências que têm formado o meu caos particular.

E também há dois dias, vi um dvd de uma pregação do Caio Fábio onde ele contou a sua história. Por diversas vezes me identifiquei tanto com o que ele falava, que parecia que era a minha história. E quando digo isso, não estou me referindo a fatos, mas a situações.

Como é difícil você fazer alguma coisa com o coração aberto, despido de qualquer intenção que não a primeira - única, nesse caso - e ser mal entendido, mal interpretado, injustamente acusado.

Como é difícil chegarmos a um ponto onde tudo parece estar bem, em que dali para frente parece que tudo vai dar certo, mas exatamente ali, tudo começa a dar errado.

Como é difícil agüentar mais uma pancada, quando parece que tudo já dói tanto. E pior ainda é saber que as coisas que mais nos machucam são aquelas que vêm de quem nós não esperamos... porque quando esperamos, já estamos preparados para resistir.

Tantos fragmentos, frases e palavras daquela mensagem ficaram ecoando dentro do meu caos!


No dvd da mensagem, o Stênio Marcius canta uma música linda, chamada “O Tapeceiro”:


Tapeceiro, grande artista,
Vai fazendo seu trabalho
Incansável, paciente no seu tear

Tapeceiro, não se engana
Sabe o fim desde o começo,
Traça voltas, mil desvios sem perder o fio

Minha vida é obra de tapeçaria,
É tecida de cores alegres e vivas,
Que fazem contraste no meio das cores
Nubladas e tristes


Se você olha do avesso,
Nem imagina o desfecho
No fim das contas, tudo se explica,
Tudo se encaixa, tudo coopera pro meu bem

Quando se vê pelo lado certo,
Muda-se logo a expressão do rosto,
Obra de arte pra Honra e Glória do Tapeceiro

Quando se vê pelo lado certo,
Todas as cores da minha vida
Dignificam a Jesus Cristo, o Tapeceiro



O grande alento é saber que Deus trabalha com cada um dos meus fragmentos, para dar ordem ao caos e tecer a minha vida. Mesmo que eu não consiga perceber como isso ocorre, porque muitas vezes a dor é tão forte que quase me cega, o Tapeceiro vai tecendo...


E vai tecendo... até que do caos nasça uma estrela dançarina...




Esse vídeo do youtube mostra o Stênio cantando essa mesma música, mas em outra igreja:



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