sábado, maio 03, 2008

O QUE O VENTO NÃO LEVOU



O QUE O VENTO NÃO LEVOU

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves
são as únicas que o vento não conseguiu levar:

um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso,
o folhear de um livro,

o cheiro que tinha o próprio vento.


Mario Quintana


.

sábado, abril 12, 2008

PERTENCER

Passeando na net, achei esse texto da Clarice Lispector. Há algum tempo a questão "pertencer" tem rondado meus pensamentos e pensei em escrever sobre isso. Por ora, o texto a seguir é suficiente, porque consegue traduzir boa parte do que eu tenho pensado e sentido.


PERTENCER
Clarice Lispector

Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.

Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.

Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.

Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.

Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro.

Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.

Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.

Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida. (...)

A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!



.

sábado, março 08, 2008

A ESTRELA , O CAOS E O TAPECEIRO



"É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançarina."
(Nietzsche)


Há dois dias vi essa frase no perfil do orkut de um amigo. E tenho pensado nela desde então. Nela e em outras turbulências que têm formado o meu caos particular.

E também há dois dias, vi um dvd de uma pregação do Caio Fábio onde ele contou a sua história. Por diversas vezes me identifiquei tanto com o que ele falava, que parecia que era a minha história. E quando digo isso, não estou me referindo a fatos, mas a situações.

Como é difícil você fazer alguma coisa com o coração aberto, despido de qualquer intenção que não a primeira - única, nesse caso - e ser mal entendido, mal interpretado, injustamente acusado.

Como é difícil chegarmos a um ponto onde tudo parece estar bem, em que dali para frente parece que tudo vai dar certo, mas exatamente ali, tudo começa a dar errado.

Como é difícil agüentar mais uma pancada, quando parece que tudo já dói tanto. E pior ainda é saber que as coisas que mais nos machucam são aquelas que vêm de quem nós não esperamos... porque quando esperamos, já estamos preparados para resistir.

Tantos fragmentos, frases e palavras daquela mensagem ficaram ecoando dentro do meu caos!


No dvd da mensagem, o Stênio Marcius canta uma música linda, chamada “O Tapeceiro”:


Tapeceiro, grande artista,
Vai fazendo seu trabalho
Incansável, paciente no seu tear

Tapeceiro, não se engana
Sabe o fim desde o começo,
Traça voltas, mil desvios sem perder o fio

Minha vida é obra de tapeçaria,
É tecida de cores alegres e vivas,
Que fazem contraste no meio das cores
Nubladas e tristes


Se você olha do avesso,
Nem imagina o desfecho
No fim das contas, tudo se explica,
Tudo se encaixa, tudo coopera pro meu bem

Quando se vê pelo lado certo,
Muda-se logo a expressão do rosto,
Obra de arte pra Honra e Glória do Tapeceiro

Quando se vê pelo lado certo,
Todas as cores da minha vida
Dignificam a Jesus Cristo, o Tapeceiro



O grande alento é saber que Deus trabalha com cada um dos meus fragmentos, para dar ordem ao caos e tecer a minha vida. Mesmo que eu não consiga perceber como isso ocorre, porque muitas vezes a dor é tão forte que quase me cega, o Tapeceiro vai tecendo...


E vai tecendo... até que do caos nasça uma estrela dançarina...




Esse vídeo do youtube mostra o Stênio cantando essa mesma música, mas em outra igreja:



quinta-feira, janeiro 31, 2008

uma versão de duas músicas

Hoje eu vi um filme bem interessante, "Finding Forrester".

Bem no finalzinho, essa versão de "Somewhere Over the Rainbow" e "What a Wonderful World" é a música que toca. Eu amo essa versão, feita pelo cantor havaiano Israel Kamakawiwo'ole.



quinta-feira, dezembro 13, 2007

PRAISE YOU IN THE STORM

Eu tenho um amigo com quem eu falo pouco e vejo menos ainda. Aliás, ele é uma dessas pessoas que fogem à regra do post abaixo, no que diz respeito aos amigos virtuais. Eu o conheci pela net... e, apesar de termos nos visto pouquíssimas vezes, sei que é um amigo de verdade.

Hoje ele me mostrou essa música. Linda demais!
A letra está aí embaixo, mas fiquei com preguiça de traduzir...

Roberto, muito obrigada por esse presente!



PRAISE YOU IN THE STORM
Mark Hall and Bernie Herms

I was sure by now, God,
that You would have reached down
and wiped our tears away,
stepped in and saved the day.
But once again, I say amen
and it's still raining...
As the thunder rolls
I barely hear You whisper through the rain,
"I'm with you"
and as Your mercy falls
I raise my hands and praise
the God who gives and takes away.

And I'll praise you in this storm
and I will lift my hands
for You are who You are
no matter where I am
and every tear I've cried
You hold in your hand
You never left my side
and though my heart is torn
I will praise You in this storm

I remember when I stumbled in the wind
You heard my cry to You
and raised me up again
my strength is almost gone
how can I carry on
if I can't find You
And as the thunder rolls
I barely hear You whisper through the rain
"I'm with you"
and as Your mercy falls
I raise my hands and praise
the God who gives and takes away

I lift my eyes onto the hills
where does my help come from?
My help comes from the Lord,
the maker of heaven and earth.


Related Posts with Thumbnails