quinta-feira, junho 30, 2011

NÃO AGUENTO


De vez em quando eu publico aqui no blog textos que li e gostei em outros sites e blogs. O que vem a seguir é um desses. Boa leitura!


NÃO AGUENTO
Artur Xexéo - Revista O Globo, 19/06/2011

Eu não aguento mais pessoas que começam qualquer frase com a expressão “Na verdade...” Nem aquelas que respondem qualquer pergunta dizendo “Com certeza!”. Nem mesmo as que, antes de terminar um pensamento, acrescentam um “enfim” ao discurso. 

Não aguento aqueles que, diante do caos em qualquer aeroporto, comentam “Imagina como vai ser em 2014”. Ou gente que, em qualquer engarrafamento de trânsito, suspira: “Imagina como vai ser em 2014.” Ou os moradores do Rio que, diante de um bueiro entupido, preveem: “Imagina como vai ser em 2014”. 

Eu não aguento mais atrizes de novela que analisam seus personagens dizendo “Foi um presente do Gilberto” (ou do Maneco, ou do Aguinaldo, ou da Maria Adelaide). Ou aquelas que, tentando definir o parceiro ideal, afirmam que “humor é fundamental”. Não aguento as que nunca protagonizam a novela das oito, mas fingem que não se importam porque “é muito melhor fazer a vilã”. Ou ainda as que celebram a profissão de atriz porque, assim, podem “viver muitas vidas”. 

Não aguento participantes da “Dança dos famosos” que dizem que a disputa provou sua “capacidade de superação”. Nem jogadores de futebol que, após a vitória de seu time, valorizam sua “capacidade de superação”. Muito menos modelos que após uma ida e volta na passarela do Fashion Rio sentem-se aliviadas por sua “capacidade de superação”. 

Eu não aguento mais comentaristas de moda na televisão analisando o “look” dos desfiles. Nem a supervalorização dos seriados da TV americana. E atores do palco agradecendo “aos deuses do teatro”. 

Eu não aguento mais prefeitos e governadores justificando atrasos nas obras porque  “o edital está em fase de finalização”. Eu não aguento políticos do PT pedindo que a oposição “não politize” o escândalo mais recente do partido. Nem os ministros do Governo chamando a presidente Dilma de “presidenta”. 

Eu não aguento mais ninguém dizendo que as redes sociais são “uma poderosa ferramenta de comunicação”. Não aguento filmes em 3D. Nem gente que se acha na obrigação de comprar o iPhone 6, quando lê o anúncio do lançamento para breve do iPhone 5. 

Não aguento mais médicos diagnosticando como “virose” tudo que eles não sabem bem o que é. Nem pesquisas científicas amaldiçoando o ovo e seus efeitos no colesterol, anos depois de o ovo ter sido abençoado por pesquisas científicas porque, afinal, o ovo tem bom colesterol, apesar de, anos antes, outras pesquisas já terem amaldiçoado o ovo etc etc etc. 

Eu não aguento mais a Regina Casé bancando a simpática. Nem a comoção nacional em torno do fim do Exalta Samba. Muito menos algum artista jovem que recebe prêmio, gritando na boca de cena “Valeu, galera!”. Eu não aguento mais o Luan Santana.






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quarta-feira, maio 25, 2011

O CARRO DO MEU VIZINHO



Moro num prédio antigo, construído no início dos anos 70. É feio por fora, mas os apartamentos têm cômodos espaçosos. Acho que na época não existia uma legislação que determinasse como a garagem deveria ser. Resultado: são 64 apartamentos e só 30 vagas espremidas na garagem.


Nela, tem carros pra todos os gostos: novos, velhos, pequenos, grandes. Mas tem um carro que se destaca: um carro preto, que embora não seja novíssimo, é o que mais tem cara de novo. Preto, brilhante, sem uma poeirinha... Todos os sábados, o dono passa o dia todo cuidando dele: lava, seca, aspira, abre o capô, liga o carro e fica atento a cada barulho que o motor faz... até os pneus recebem uma demão de "pretinho" e ficam lá, limpinhos, limpinhos!


O único problema é que o carro nunca sai da garagem. 


E até ganhou semana passada uma cerquinha de correntes, para que ninguém se aproxime e encoste nele.


Quando eu era pequena, eu imaginava a vida meio como o filme Toy Story: se não tiver nenhum humano por perto, as coisas "vivem", tem sentimentos e conversam entre si... Se isso fosse verdade, imagino a tristeza do carro do vizinho: sempre lindo e bem cuidado, mas trancafiado numa garagem no subsolo de um prédio, onde não bate sol, vento, chuva, nada. E fico pensando no que leva o meu vizinho a ter um carro só por ter e não para aproveitar o que ele poderia proporcionar, como um passeio na orla numa noite de lua cheia, por exemplo.


Às vezes penso que eu ajo como o vizinho: pego os meus melhores sentimentos, habilidades e talentos e deixo trancafiados em algum lugar escuro dentro de mim. Eu sei que eles estão lá, prontinhos para serem usados e esperando por isso, mas por alguns motivos, conscientes ou não, eu não aproveito o que tenho de melhor.


Sinto que está na hora de mudar isso. E me cobro esta mudança. Preciso abrir a minha garagem e levar a minha alma para sentir o vento que vem do mar e a chuva fresca da floresta... Mas onde deixei a chave?






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quinta-feira, março 31, 2011

BLOG NOVO NO AR!



Há algum tempo eu tenho pensado em criar um blog onde eu possa mostrar o meu lado profissional como Designer de Interiores e os projetos que desenvolvi, comentar sobre o que anda acontecendo no mundo do Design de Interiores e da Decoração, compartilhar ideias e sugestões sobre como conseguir um visual bem legal, mas que caiba no bolso. 

Ontem consegui colocar essa ideia em prática e nasceu o MarCa Interiores.

Sejam todos bem vindos a esse meu novo espaço!
Fiquem à vontade e sintam-se em casa!



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sexta-feira, março 25, 2011

BALAIO MUSICAL (8)

Hoje acordei meio nostálgica e lembrei de uma música que fez sucesso há uns 20 anos, mais ou menos: Porto Solidão, do Jessé. Fui pro Youtube procurar algum vídeo dele e achei vários, cada um mais tosco que o outro. Mesmo assim, separei quatro para colocar aqui, porque as letras são boas. 

Para quem não sabe, Jessé morreu em um acidente de carro em 1993, com 41 anos (é a idade que tenho hoje; é estranho saber que alguém morreu exatamente com a mesma idade que a gente tem). Antes de morrer ele lançou  15 discos, e entre eles, alguns com músicas evangélicas.

Hoje, no meu balaio, Jessé e as músicas Porto Solidão, Voa Liberdade, Solidão de Amigos e Rude Cruz.













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quarta-feira, fevereiro 23, 2011

A MOÇA DO METRÔ


Eu sou muito observadora. Presto atenção a um monte de detalhes que a maioria das pessoas não percebe. Leio nas entrelinhas. Quase sempre, percebo coisas que as pessoas tentam esconder.

Ontem no metrô, uma moça me chamou a atenção. Nem sei se ela me viu... Ela estava usando um vestido azul escuro estampado, bem discreto. Os óculos de armação escura contrastavam com a pele clara. A boca, sem batom, era pequena e rosada. Os cabelos pretos, lisos, estavam preso num coque folgado.

Tudo nela mostrava uma moça recatada e discreta.
Tudo, menos o olhar. Havia fogo dentro daqueles olhos.


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