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terça-feira, dezembro 29, 2020

O lago


 Lago das Fadas, Floresta da Tijuca, RJ, 2008
foto: arquivo pessoal


Quando conseguiu avistar o lago entre as árvores e os arbustos, não tinha muita certeza de como chegara até ali.

No momento que inspirou mais fundo, sentiu a umidade enchendo o seu peito. E junto com ela, um arrepio percorreu o seu corpo.

Lembrou-se do arrepio que sentiu anos atrás, quando viu o mesmo lago pela primeira vez e tocou sua água fria. Tinha sido apenas um toque rápido: a água fria encostou em seus pés e, num susto, se retraiu.

A emoção daquele arrepio permaneceu em uma das suas gavetas de lembranças, aquela que não era muito mexida, porque era repleta de impossibilidades.

Mas a umidade do lago abriu a gaveta: continuava cheia de cheiros, sensações, lembranças... E de impossibilidades: umas antigas, outras nem tanto. Algumas, tais como pequenas mariposas, voaram gaveta afora e se esvaneceram no ar, deixando um quase invisível rastro de poeira naquele minúsculo raio de sol que entrou por uma fresta da janela mal fechada.

E olhando o lago, sentou-se na sua margem, abraçou as pernas e ficou observando as libélulas que davam seus pequenos mergulhos na água, desejando, por um instante ter a mesma coragem.

 

Marcia Carvalho,  

Teresópolis, dezembro 2020 

 


domingo, outubro 18, 2009

POR AÍ (2)

Técnica a gente aprende.
Talento, ou se nasce com, ou não se tem.

A jovem ucraniana Kseniya Simonova, de 24 anos, virou sensação na internet depois de vencer o Ukraine’s got talent, versão local do programa de calouros que, no Reino Unido, deu fama à cantora Susan Boyle. Ela fez, ao vivo, uma animação usando apenas areia em uma tela iluminada. 
(Retirado do site da revista Época)

  

quinta-feira, abril 27, 2006

FANTASIA


(28/dez/2005)


Na casa, as vozes altas se misturam com a som que vem da tv. Já é noite.

Entro no meu quarto, olho pela janela... Que saudade de ver o mar pela janela!
Fecho os olhos. E sou transportada para um outro lugar. Lugar azul, cheiro de flor, silêncio. Minha alma descansa... Paz!

Um barulho me traz de volta... O mesmo quarto, a mesma janela sem mar, vozes na casa.

Visto minha fantasia de forte e saio. Criança frágil, vejo como é simples vestir a fantasia. E sofro. Sofro porque queria ser vista como sou, sem a fantasia... frágil, querendo colo, precisando de carinho.

Respiro fundo, sigo em frente...

Hoje não... quem sabe outro dia me mostro como sou? Frágil, querendo colo, precisando de carinho... feliz, por não precisar da fantasia!
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