segunda-feira, janeiro 03, 2011

ALVARÁ DE DEMOLIÇÃO

O que precisa nascer
tem sua raiz em chão de casa velha.
À sua necessidade, o piso cede,
estalam rachaduras nas paredes,
os caixões da janela se desprendem.
O que precisa nascer
aparece no sonho buscando frinchas no teto,
réstias de luz e ar.
Sei muito bem do que este sonho fala
e a quem pode me dar
peço coragem.


Adélia Prado, 
no livro A duração do dia
(Ganhei este livro hoje; brigadinha, JJ!)





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quinta-feira, dezembro 23, 2010

FELIZ NATAL 2010



Tantas coisas aconteceram nos últimos dias que não tive tempo - nem inspiração - para escrever sobre o Natal (mesmo porque embora hoje seja dia 23 de dezembro, ainda não entrei no "clima de Natal"). 

Por isso, pra não deixar a data passar em branco, vou postar aqui os links para os textos que escrevi ano passado.

E como essa é a época das "resoluções de ano novo", vou tentar escrever mais em 2011.

Bem, com vocês, os links.

JÁ É NATAL (1) - Aleluia, versão soul http://bit.ly/htaj0d

JÁ É NATAL (2) - A lenda da bengalinha http://bit.ly/ia9DfW

JÁ É NATAL (3) - Músicas tradicionais http://bit.ly/gh4bof

JÁ É NATAL (4) - Já é Natal na Leader Magazine... http://bit.ly/hyh6bk

JÁ É NATAL (5) - Bela estrela, a mais bela poesia http://bit.ly/frptz0

JÁ É NATAL (6) - Mary did you know? http://bit.ly/ecAcO6


Bem, que Deus nos abençoe e nos conceda um Natal festivo e feliz, que realmente celebre o nascimento de Jesus, aquele que, existindo em forma de Deus, não considerou o fato de ser igual a Deus algo a que se devesse apegar, mas, pelo contrário, esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo e fazendo-se semelhante aos homens; assim, na forma de homem, humilhou-se a si mesmo até a morte, e morte de cruz. (Paulo, na sua carta aos Filipenses, capítulo 2, versículos 6, 7 e 8)

sexta-feira, setembro 10, 2010

OBSERVAÇÕES NO METRÔ



Estou completando seis meses no meu trabalho no Centro do Rio. O meio de transporte que uso para ir e voltar é sempre o metrô.  São em média vinte minutos para ir e mais vinte para voltar, de segunda à sexta, sempre no horário de rush, o que significa que pego metrô lotado todos os dias e que posso contar nos dedos de uma das mãos as vezes em que pude ficar sentada.

Os problemas que o Metrô Rio apresenta todo mundo já conhece: superlotação, ar condicionado insuficiente, inúmeras paradas entre uma estação e outra enquanto “estamos esperando a normalização do tráfego à frente”.

Mas não é sobre isso que quero falar. Quero contar aqui algumas observações que fiz nesses seis meses convivendo com muito mais pessoas dentro do Metrô do que a física diz ser possível.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi a quantidade de pessoas que lêem durante a viagem. Algumas ficam dentro do vagão por duas estações, mas mesmo assim, aproveitam esse momento para ler. E se lê de tudo: bíblias, jornais, livros, revistas de notícias, revistas de fofocas, apostilas de cursos. Percebi também a grande quantidade de livros religiosos, principalmente os espíritas.

A segunda coisa é sobre o vagão destinado às mulheres. Aliás, aqui são duas observações. O vagão das mulheres é muito mais barulhento do que os vagões mistos. O burburinho por vezes beira o insuportável. No fim do dia, é até um pouco menor, mas, incomoda mesmo assim. A outra coisa sobre o vagão feminino é que, embora a idéia é que fosse um espaço destinado a proteger as mulheres do assédio físico quando o vagão está cheio, muitas mulheres preferem ir no misto, pois alegam que o assédio de outras mulheres é muito mais agressivo do que o dos homens nos vagões mistos.

Ainda sobre o vagão das mulheres, é absurda a quantidade de homens que entram nele e fingem que não sabem que estão num lugar onde não deveriam; dizem que só perceberam depois que já tinham entrado e as portas se fecharam. Ora, se perceberam só depois das portas se fecharem por que não trocaram de vagão na estação seguinte? Eu acho que o vagão feminino deveria ser destinado às mulheres durante todo o dia, e não somente nos horários de rush.  Afinal, se tem menos gente circulando, qual o problema em se destacar um vagão durante o dia todo? E também acho que ele deveria ser diferente dos outros, pintado por dentro e por fora de uma forma que até mesmo os mais distraídos percebessem que ali homem não deveria entrar.  Embora o vagão exclusivo seja um direito garantido por lei, eu quase não o uso, por concordar a respeito do assédio agressivo e me sentir muito incomodada pelo barulho da mulherada.

A terceira observação é sobre a “cara” do brasileiro. É incrível a diversidade do nosso povo. Tem gente de todas as cores, alturas, formatos, feitios. Acho isso muito, mas muito bonito mesmo.

A quarta observação é quanto o sapato diz sobre uma pessoa. De modo geral, quase sem exceção, só de olhar o sapato/sandália dá pra saber como a pessoa se veste, como é o cabelo e, no caso das mulheres, a maquiagem. Parece que o que usamos nos pés acaba sendo uma grande fonte de informação sobre cada um de nós.

A quinta coisa que me chama a atenção é que grande parte das pessoas usa fone de ouvido, e, normalmente, com um volume muito alto. Acho que daqui a alguns anos, quase todos estarão apresentando problemas de audição, se é que já não os tem.

A sexta observação é que a maioria dos homens usam camisas listradas.

Pra terminar, uma observação boba: existem muito mais cores de esmalte do que eu poderia imaginar...


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segunda-feira, setembro 06, 2010

BALAIO MUSICAL (7)

Depois de tanto tempo sem escrever, resolvi fazer um novo post. Já estava mais do que na hora... aliás, já tinha passado - e muito - da hora de colocar um post novo.

Ontem, domingo, 5 de setembro, foi o casamento de uma das minhas primas mais novas. A cerimônia, linda, aconteceu no jardim da casa dela. A foto abaixo mostra um pedaço dele.




Para minha surpresa, a música de entrada do noivo e padrinhos faz parte da trilha sonora de um dos meus filmes favoritos e, embora seja uma música romântica, eu nunca a tinha ouvido em casamentos.

Bem, deixo com vocês a música, cantada pelo Switchfoot, grupo que a criou.



É, eu sei que Um amor para recordar é um filme água-com-açúcar, feito para adolescentezinhas romantiquinhas... mas eu gosto dele. Vai ver que ainda tem uma menininha romântica morando escondida dentro de mim...

Para quem quiser conferir a letra e a tradução: http://bit.ly/bxvov4




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sexta-feira, junho 11, 2010

AH, O AMOR...

Essa semana, visitando os blogs que sigo, cheguei no Folha Tremulante... , escrito pela minha amiga Simone, e encontrei um texto lindo, falando sobre amor. Gostei tanto que pedi autorização a ela e publico o mesmo aqui.




Ah, o amor... 
Silastie

Na próxima semana teremos a data brasileira para o dia dos namorados, não sei se por essa razão ou por nada muito específico resolvi escrever sobre o amor. A minha idéia de amor, talvez um pouco inusitada ou por demais romântica para muitos, mas é o que acredito que seja o amor verdadeiro.
 
Acredito em um sentimento tão raro e sublime que seria impossível não ser correspondido. Muito diferente do “gostar de alguém”, muito mais simples do que o “estar apaixonado”. 

Com o passar do tempo comecei a perceber que aquela idéia ingênua de que seria simples ter um relacionamento onde haja amor não é nada simples. E o que ouvi muitas vezes de amigos ou de mim mesma, querer alguém que apenas me ame e a quem eu ame. Isso é muito mais complexo que minha mente adolescente poderia possivelmente imaginar. Com o passar do tempo comecei a perceber que estar com alguém, seja casado ou namorando não significa que você ame ou seja amado. Sentimento é sempre algo bem controverso e é difícil em meio a um turbilhão de emoções você não acreditar verdadeiramente que está amando e finalmente encontrou o tão sonhado “amor da sua vida” até que o sonho acabe.

Não estou dizendo que não acredito no amor, muito pelo contrario sou uma romântica incurável. Não saberia duvidar dele nem por um minuto.

A questão é que nos últimos anos, especialmente depois dos 30, comecei a analisar mais de perto os relacionamentos de amigos, parentes e colegas, e cheguei a uma conclusão um pouco arrasadora... O amor, aquele genuíno, é um sentimento muito raro e são muito poucos os que realmente o encontram. Isso independe de estar solteiro ou casado, viver bem ou não no seu relacionamento. 

O que eu entendo por amor é um conjunto de coisas simples que acabam por forjar o mais complexo dos sentimentos.

Encontrar na ternura do olhar do outro o abrigo e refúgio para todo o mal, ao lado da pessoa amada sentir-se protegido. E ter o desejo intenso de proteger aquele a quem se ama de toda e qualquer dificuldade. 

Conseguir fazê-lo sorrir quando ele está cansado, e saber que o abraço que ele te oferecerá terá o mágico poder de fazer toda a dificuldade do seu atribulado dia ir embora.

Amar é querer andar de mãos dadas no parque, escrever bilhetinhos com palavras de carinho feito dois adolescente, isso independente da idade ou fase da vida na qual encontram-se. 

Quando se ama de verdade não importa o quão maravilhoso é o lugar onde se está, se o outro não estiver junto nada terá graça, porque no fundo você imagina que com aquela pessoa tudo seria mais divertido e mais bonito. Isso não significa que você pare de viver quando estiverem distantes um do outro, mas que acreditam que estar juntos é mais belo que qualquer outro prêmio.

Quem ama não consegue estar em um lugar legal e não lembrar da pessoa amada. Não pegar uma conchinha na areia da praia e levar de lembrança. 

Difícil não ver algo do qual o outro se agradaria e não lembrar instantaneamente da risada de satisfação que o outro daria se estivesse ali, e assim difícil não sorrir lembrando com ternura do seu amado distante e sentir aquela saudade que aperta o peito mas que ao mesmo tempo te traz alegria por saber que em breve estarão juntos novamente. 

Sabe quando você olha para a pessoa e vocês conseguem entender o que um e outro estão pensando e sem pronunciar uma única palavra os dois caem em uma gargalhada submersa em cumplicidade? Isso é amar.

Saber estar em silêncio e oferecer um abraço ou o ombro, e saber que poderá contar com isso quando você também precisar.

Ter uma musica secreta, que foi escolhida para embalar o romance. Ter prazer em dormir abraçado, ficar horas se olhando, perder-se no tempo enquanto conversam seja lá sobre qual assunto for. Não importa, o que vale é estarem juntos, rirem juntos, chorarem juntos, trocar juras de amor eterno. E acima de tudo entender que são abençoados e que foram agraciados com o mais sublime dos presentes, viver um grande amor.

Quem ama volta a ser criança, brinca de roda, de pipa, vai ao parque, come pipoca e algodão doce e tudo isso parece ser o programa mais divertido do mundo.

Quem ama também tem jantares românticos , regados a boa comida, bom vinho, boa conversa e muito carinho e ternura.

Outro dia ouvi o comentário de uma amiga, que na minha opinião encontrou esse amor de que falo. Ela disse algo como, depois de 12 anos ainda sinto um arrepio na espinha quando ele me beija. Quem ama de verdade guarda sempre o desejo dos primeiros dias de namoro, não importa o quanto o tempo passe ou o quanto fiquem juntos.

Quem encontra o amor verdadeiro terá sempre o melhor amigo no amado, pois tal cumplicidade não é possível ser encontrada em outra pessoa.
Quem ama de verdade espera sinceramente poder envelhecer junto, e entender que cada momento vivido ao lado da pessoa amada é muito, mas muito precioso...

“I could stay awake just to hear you breathing
Watch you smile while you are sleeping
While you're far away and dreaming

I could spend my life in this sweet surrender

I could stay lost in this moment forever

Every moment spent with you

Is a moment of treasure...” 
(Diane Warren)



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