sexta-feira, novembro 16, 2007

MEU ÚLTIMO DESEJO

Coisa boa é poder ter alguém como a Gláucia Carvalho entre os amigos...
De vez em quando (ou seria de vez em sempre?), ela nos presenteia com sua poesia...
Essa aí é linda... não resisti, tive que colocar aqui.

Ah... ela escreveu essa coisa linda depois de ler um livro de um cara muito dez, o William Douglas; conhecido como o "guru dos concursos", ele é um amor de pessoa.


Esses dois são presentes de Deus pra nós!




Meu último desejo...

O meu último desejo,

O que choro, o que peço,

O que pego, o que almejo, sou eu mesma...


O meu último desejo?

é minha vida toda na mesa,

São as cartas jogadas com certeza,

é o preto no branco, o sim-sim, não-não,

A verdade das coisas, o toque das mãos!

O olhar de misericórdia, o sincero perdão...


O meu último desejo?
é ter mais desejos,
é ter meus segredos,
guardados à dedo, pra sempre, pra sempre...

é ver minha gente feliz, despreocupada,
vendendo saúde, com conversa fiada...


Meu último desejo? é morrer sossegada...

é partir com a certeza de que fiz tudo errado,

de que fiz tudo querendo acertar,
de que Deus me ama tanto,

que na hora da morte, certamente irá relevar...

Irá revelar, seu amor tão intenso, como eu tão intensa...
...

como meu último desejo..., meu desejo, meu desejo...
...
um suspiro, um último beijo...

meu desejo?
O meu último desejo?...
Um pedacinho de amor e uma mordida de queijo...


Gláucia Carvalho

27.10.2007

2h30
(depois de ler " A última Carta do Tenente " de William Douglas)

terça-feira, novembro 13, 2007

É PROIBIDO PENSAR!!!

Essa aí é a letra da música que o João Alexandre lançou no seu último cd, que também se chama É Proibido Pensar.
Pra quem quiser ouvir, o link é esse:

http://media.putfile.com/Joao-Alexandre---e-proibido-pensar




Procuro alguém pra resolver meu problema,
Pois não consigo me encaixar nesse esquema,
São sempre variações do mesmo tema, meras repetições...

A extravagância vem de todos os lados,
E faz chover profetas apaixonados,
Morrendo em pé, rompendo em fé dos cansados que ouvem suas canções...

Estar de bem com a vida é muito mais que renascer
Deus já me deu sua palavra
E é por ela que eu ainda guio meu viver!

Reconstruindo o que Jesus derrubou...
Recosturando o véu que a cruz já rasgou...
Ressuscitando a lei, pisando na graça, negociando com Deus!

No show da fé milagre é tão natural,
Que até pregar com a mesma voz é normal...
Nesse evangeliquês universal, se apossando dos céus...

Estão distante do trono,
Caçadores de Deus ao som de um shofar.
E mais um ídolo importado dita as regras para nos escravizar:

É proibido pensar!

segunda-feira, outubro 22, 2007

HOJE EU CHOREI

Esse texto eu escrevi ontem, 21 de outubro de 2007



Eu tenho visto pouquíssima coisa na TV. TV aberta nem lembro mais que existe. Na TV paga, uma vez ou outra eu encontro algo que ainda dá para ver.

Essa semana eu estava vendo o canal People & Arts e vi a chamada de um programa que passaria hoje, o Extreme Makeover – reconstrução total. A idéia do programa é fazer uma reforma, ou melhor, construir uma casa nova para alguma família necessitada. O desafio é fazer isso em uma semana, mas com o sistema de construção americano, é bem mais fácil do que se fosse feito como nós, brasileiros, construímos nossas casas. Eu já tinha visto esse programa algumas vezes e achei até interessante. Mas a chamada que eu vi durante a semana me fez querer de verdade esse episódio.

Bem, a família era composta pela mãe, Susan Tom e por suas seis filhas, todas adotivas, todas com graves problemas de saúde e/ou deficiências físicas. Além das meninas, ela também tinha adotado um menino portador de uma grave doença dermatológica, que acabou causando a sua morte poucos meses antes do programa ser gravado.

As doenças e deficiências das meninas eram as mais variadas: duas delas nasceram sem as pernas; uma possuía algum tipo de paraplegia; outra passou por uma grave cirurgia cerebral nos primeiros dias de vida; outra apresenta um retardo psicológico grave; outra sofreu graves queimaduras ainda bebê, que lhe causaram deformidade em todo o rosto, parte do corpo e perda de uma das mãos; outra possui algum tipo de artrite que impede o movimento das articulações das pernas e dos cotovelos.

Todas as meninas eram felizes, sorridentes, adaptadas a uma vida quase normal, gostando das mesmas coisas que as adolescentes “normais” gostam.

O que me fez chorar não foi a condição física delas. É lógico que ver pessoas assim me entristece, e muito. Principalmente, porque tendo a achar que elas não podem aproveitar a vida de uma maneira integral. Por pior que seja admitir isso, na verdade acho que sinto pena, e pena é coisa horrível de se sentir.

Mas o que é mais entristecedor é ver tantas pessoas com vidas tão menos complicadas mas que não sabem ser felizes. Pessoas que possuem tantas coisas boas e que não as valorizam. Pessoas que não sabem cuidar de si mesmas e muito menos do próximo.

Pensar no amor que Susan tem por suas filhas me faz pensar em tantas mães que leio no jornal que atiram seus filhos recém-nascidos em lagoas, em rios imundos... Me faz pensar na mãe que hoje, em Minas, trancou seu filho de menos de dois anos em casa e incendiou o imóvel.

Ver a família Tom, unida e feliz, apesar de todos os seus graves problemas, me faz pensar em tantas famílias que ao menor sinal de problemas, já se esfacelam...

O que me fez chorar é ver como as pessoas desistem tão facilmente umas das outras! Isso é muito triste!

Mas acho que também chorei por ver que ainda existe gente que luta para ser feliz, não importam as circunstâncias que as rodeiam.

Eu li uma frase do Ed René Kivitz que nunca vou esquecer. Era mais ou menos assim: “Os relacionamentos não dão certo. A gente é que faz com que eles dêem certo.” Aqui, por relacionamento, eu entendo todo o tipo de relacionamento, seja familiar, de amizade, sentimental, profissional...

Bem, cada um escolhe o que fazer com o que recebe da vida. E com a vida que recebe.


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sexta-feira, outubro 19, 2007

METADE


Hoje eu só coloco esse poema.
Ele já diz muito... posso me calar e deixar que ele fale por mim.



METADE
(Oswaldo Montenegro)

“Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também."
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segunda-feira, setembro 24, 2007

RESTOS DE INCÊNDIO E CHOCOLATE BRANCO

Hoje de manhã eu acordei no meio de um sonho... O despertador tocou e aí, cortou o sonho.

Mas foi um sonho interessante: eu estava num lugar que havia sofrido um incêndio. Era a minha casa. Não a casa em que eu moro ou alguma outra em que já morei, mas no sonho, era a minha casa. Estava tudo queimado, destruido, mas eu estava tranqüila, porque minhas fotos tinham sido salvas por uma pessoa.

E no meio da sala toda queimada, estava uma mesa.
E em cima da mesa, um fondue de chocolate branco - a única coisa branca naquele cenário cinza.
E eu e o salvador das minhas fotos paramos pra comer aquele fondue.

No meio do caos cinza, encontramos paz pra saborear um fondue branco.

Acordei feliz!



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